A seleção da cor dos dentes é um aspecto fundamental da odontologia estética, que requer profundo conhecimento técnico e uma abordagem detalhada do profissional.
Neste texto, abordaremos os principais critérios, metodologias e fatores que devem ser considerados na escolha ideal da cor dos dentes do seu paciente.
Componentes da cor dos dentes
Para entender melhor a seleção de cores dos dentes, devemos considerar os seguintes componentes de cor:
Matiz
O matiz se refere à tonalidade predominante da cor, representando a cor básica dos dentes, que pode variar do branco ao amarelo, marrom ou cinza, devido a fatores genéticos e ambientais.
Além disso, a escala de matiz é fundamental na seleção da cor, pois determina a cor de base da restauração ou do tratamento a ser realizado.
Saturação
A saturação é a intensidade ou vivacidade da cor na dentina. Quanto mais saturada a cor, mais vívida ela parece, sendo que ela é mais intensa na região cervical e menos no terço médio.
Entretanto, os dentes naturais geralmente têm uma saturação moderada, embora fatores como manchas e pigmentações possam afetar esse aspecto.
Valor (Luminosidade)
O valor se relaciona com o grau de luminosidade ou escuridão da cor, sendo este outro fator na seleção de cores, pois influencia a luminosidade dos dentes.
Utilizando tons de cinza, você pode escolher entre valores mais altos, deixando a cor com aspecto mais esbranquiçado, ou com valor mais baixo, deixando o dente mais escuro.
Características do substrato
Para compreender completamente a seleção de cor dos dentes, deve-se também levar em consideração as características do substrato dental.
Sabemos que os dentes são compostos por diferentes tecidos, cada um com seus próprios níveis de transparência e opacidade.
Com isso, a translucidez do esmalte está atrelado a determinação da cor dos dentes, pois permite que parte da luz penetre na superfície do dente e seja refletida de volta.
Já a dentina é uma parte do dente naturalmente opaca, que pode variar de amarela a acinzentada.
Além disso, temos outras características como os pinos metálicos e as fibras usadas em restaurações que também podem influenciar na cor.
Pinos de metal podem ser vistos através da dentina e, em alguns casos, dar uma aparência ligeiramente mais escura ou metálica ao dente restaurado.
Em relação as fibras, por serem mais translúcidas e se assemelharem mais a estrutura natural dos dentes, tem apenas uma pequena influência na cor.
Por fim, devemos considerar também a cor natural do dente de cada paciente, para alcançar um resultado harmônico.
Métodos objetivos e subjetivos na escolha das cores
Durante o procedimento estético na seleção da cor, um profissional experiente tem duas opções para realizar a seleção de cores:
1) Espectrofotometria (mais objetivo, pois depende menos da experiência e subjetividade do profissional)
A espectrofotometria é um método objetivo que mede a cor dos dentes de forma precisa e científica.
Ou seja, ela se baseia na medição/quantificação dos valores que representam o valor (luminosidade), matiz (cor predominante) e saturação (intensidade da cor) através de um equipamento específico (espectrofômetro).
Além disso, alguns modelos de scanners intraorais também permitem a tomada de cor de forma automatizada.
2) Escalas de cores padrão (mais subjetivo, pois é mais sensível à leitura e experiência do profissional)
As escalas de cores padronizadas, como a escala Vita, oferecem uma referência visual para a seleção de cores.
Elas são amplamente utilizadas na odontologia para comparar a cor dos dentes do paciente com amostras conhecidas.
Dessa forma, facilitando a seleção precisa da cor através da comparação e correspondência das mesmas com os dentes do paciente.
O uso de fotografias dos dentes ao lado de escalas de cor padronizadas (VITA, Ivoclar, etc.) permite documentar as cores dos dentes do paciente e fornecer uma referência ao longo do tratamento.
Por isso, é importante um ambiente com luz natural, com o paciente em uma posição que permita a observação exata de como se comporta a cor do dente nas situações cotidianas.
Conclusão
A seleção de cores nos dentes é uma habilidade importante para o sucesso estético do tratamento e que combina ciência e arte.
Considerar as características dos dentes do paciente, utilizar escalas de cores confiáveis, aplicar metodologias precisas e compreender as propriedades ópticas dos dentes são fundamentais para alcançar resultados excepcionais.

